Eu não sei em que momento da sua vida você está quando lê isso, mas talvez você conheça aquela sensação difícil de explicar de saber que existe mais em você. Mais vida, mais coragem, mais desejo, mais coisas que você gostaria de viver, criar e entregar. E, ao mesmo tempo, existe tudo aquilo que ninguém vê: as dúvidas que você não conta, os medos que aprendeu a disfarçar, os sonhos que continuam guardados porque, de algum jeito, parece que nunca é a hora.
Talvez você tenha se acostumado a chamar isso de falta de tempo, de uma fase, de cansaço ou simplesmente de “ainda não estou pronta”. Mas, em algum lugar aí dentro, você sabe que existe uma vida que poderia estar vivendo e que, por algum motivo, ainda não começou a viver.
Eu conheço esse lugar. Também passei muito tempo achando que precisava encontrar as respostas antes de dar os passos, entender antes de escolher, estar pronta antes de começar. E fui percebendo que a vida não funciona assim. A gente entende algumas coisas caminhando, descobre outras enquanto tenta, erra, recomeça e vai se tornando quem é enquanto vive.
Por isso existe uma pergunta que eu carrego comigo e que gostaria de colocar nas suas mãos:
O que você vai fazer com tudo o que recebeu?
E não estou falando só do que você sabe fazer. Estou falando da sua história, da sua sensibilidade, das dores que te transformaram, das perguntas que continuam te acompanhando, das pessoas que encontrou pelo caminho, daquilo em que acredita e daquilo que ainda sonha viver. De tudo o que Deus foi colocando no seu caminho e dentro de você.
Eu acredito que nada disso precisa ser desperdiçado. Não porque você tenha que fazer algo grandioso, nem porque precise provar o seu valor para alguém, mas porque existe uma diferença enorme entre passar pela vida e participar dela de verdade.
Talvez exista um sonho que volta para você há anos. Alguma coisa que você gostaria de criar, uma forma de servir, uma mudança que sabe que precisa fazer. Eu não sei qual é o seu, e não acho que exista fórmula para descobrir. Mas acredito que aquilo que existe em você pede algum tipo de resposta.
Talvez você não precise de mais uma versão de você. Talvez precise de espaço para enxergar quem já está aí, de coragem para fazer alguma coisa com isso e de consciência para escolher o que merece ganhar forma na sua vida.
Quando isso começa a acontecer, você faz escolhas mais suas e coloca no mundo coisas que, por muito tempo, existiram só dentro de você. E aquilo que nasceu da sua história pode encontrar outras pessoas, tocar outras vidas, gerar valor, sustentar você e continuar existindo para além de você.
É isso que eu desejo para você. Que não passe a vida inteira se preparando para começar a vivê-la. Que não chegue aos seus últimos anos carregando a pergunta “e se eu tivesse tentado?”. Que possa se orgulhar de si, não pelo tamanho do que construiu, mas pela mulher que foi enquanto construía.
E que um dia, olhando para tudo o que viveu e escolheu fazer com o que recebeu, você consiga dizer, com tranquilidade:
Eu não desperdicei o que recebi. Eu fiz alguma coisa com isso. Eu vivi.
Talvez essa seja uma das marcas mais bonitas que uma mulher pode deixar: alguma coisa passou a existir no mundo porque ela existiu.
Com carinho,Natália